Pages Menu
TwitterRssFacebook
Categories Menu

Posted on Mai 16, 2014 in Notícias

Proteção ocular da radiação solar

luzsolar

No solstício de verão é muito comum pessoas apresentarem olhos vermelhos, lacrimejamento, fotofobia, blefaroespasmo (pálpebras apertando) e sensação de corpo estranho, 6 a 12 horas após a exposição solar ou de forma cumulativa, à medida que os olhos ficam expostos ao sol ou ao reflexo do mesmo, presente na areia das praias ou das dunas, no mar, no céu. Estes sintomas de ceratite actínica ou fotoceratite desaparecem em 48 horas mas podem recidivar após novas exposições aos raios ultra violeta (UV).

O espectro luminoso visível abrange raios com o comprimento de onda de 400 (violeta) a 760 (vermelho) nanômetros (nm). Os raios UV, não visíveis, apresentam comprimento de onda menor, que varia de 100 a 400 nm. Os raios UV, baseados em seu efeito biológico, são subdivididos em UVA (400 a 320 nm), UVB (320 a 290 nm), UVC (290 a 100 nm). Embora sejam apenas 5% da energia solar, é a sua porção mais perigosa, sendo os maiores responsáveis por esta queimadura ocular. Os raios UVC, germicidas e causadores de câncer de pele, são totalmente filtrados na estratosfera, estando presentes de forma artificial no nosso meio (solda elétrica, luz UV para esterilizar equipamentos). A luz UVB também é filtrada pela atmosfera, em 70 a 90%.

Raios UV são refletidos pelo solo, variando de 1 a 5% (grama), 3 a 13% (água), 7 a 18% (concreto e areia), 88% (neve). O pico máximo de incidência de raios UV A e UV B ocorre quando o sol se aproxima do zênite (a pino). Da mesma forma, devido ao ângulo de inclinação da terra, há um aumento na incidência dos raios UV durante o verão.

Anatomicamente existe proteção natural aos olhos, pelo fato do olhar ser na horizontal, evitando grande parte dos raios refletidos do solo, além dos cílios, pálpebras, sombrancelhas, nariz, bochechas. A porção nasal dos olhos fica mais exposta à luz refletida do nariz. Os olhos ficam expostos a 7 a 17% da dos níveis de raios UV do ambiente. Grande parte destes é filtrada pela córnea (filtra UVB e UVC, com pico de absorção de 270 nm) e pelo cristalino (UVB e com a idade, UVA e parte da luz visível), sendo que apenas 2% destes raios alcançam a retina.

Outras fontes apontam para a seguinte exposição aos raios UV ambientes: 72% sem proteção; 47% com chapéu; 17% com óculos escuros; 8% com óculos escuros e chapéu; 4% dentro de casa.

Efeito da Radiação Ultra Violeta nos Tecidos Oculares

Os mecanismos de fototoxicidade dos raios UV incluem reações oxidativas, que levam à desnaturação de proteínas e à formação de radicais livres.

Córnea e conjuntiva: assim como a pele apresenta queimadura de primeiro grau, os olhos apresentam sintomas 6 horas após a exposição solar. Há um desprendimento de células do epitélio corneano, levando à fotoceratite, com recuperação rápida (1 a 2 dias de afastamento da luz solar). A exposição crônica pode causar pingüécula, e pterígeo, que são elevações amareladas da conjuntiva, sendo que o segundo apresenta uma invasão sobre a córnea. Pode haver também degeneração do estroma corneano, chamada de ceratopatia climática. Embora raras, lesões melanocíticas da conjuntiva têm relação com os raios UV, podendo evoluir para tumores malignos – melanoma, assim como na pele.

Cristalino: catarata tipo cortical e subcapsular posterior.

Retina: lesões agudas ocorrem nas retinopatias solares, por eclipse, ou por acidentes com instrumentos de observação, como telescópios. Ainda não foi comprovada a degeneração macular relacionada à idade com a exposição à luz solar, talvez devido à eficácia do cristalino e da córnea filtrando os raios UV.

Óculos de Proteção e Raios UV

Lentes oftálmicas adequadas proporcionam proteção e conforto por meio da absorção de radiações luminosas indesejáveis. Estas lentes filtrantes podem ser fotossensíveis, fotocromáticas ou tingidas (maior parte, sendo as outras integrantes da estrutura da lente). As fotossensíveis são orgânicas, de alto índice em sua maioria, já desenhadas (visão simples, bifocais ou progressivas) – e recebem um tratamento na face anterior com moléculas de Idolino Spronaphthoxazinas ou cromóforos de outros tipos, tornando-se parte estrutural da lente. Quando expostas a irradiação UV sofrem reação química reagrupando suas moléculas em formações capazes de absorver e decompor a luz visível, escurecendo a lente (ativação), sendo esta reação revertida com a falta de estímulo luminoso suficiente (desativação). As fotocromáticas de cristal também apresentam propriedades semelhantes. As lentes tingidas apresentam várias possibilidades de cores aplicadas em sua superfície posterior. O filtro UV pode ser incorporado à tinta, ser aplicado por películas absorventes de UV. Lentes de policarbonato e polarizadas são também são consideradas filtrantes.

Óculos ideais são aqueles que diminuem a luz visível a níveis confortáveis, bloqueando inteiramente os raios UV, invisíveis, porém nocivos para os olhos. A capacidade das lentes dos óculos de absorver os raios UV depende dos cromóforos (moléculas que absorvem raios UV) presentes, não importando a cor dos óculos, se muito escuros ou mais claros.

Ao comprar óculos escuros é importante inspecioná-los verificando a presença de arranhões em sua superfície, bem como a qualidade óptica das lentes. Uma maneira prática é observar um objeto linear e mover o rosto para cima, para baixo, para os lados, verificando se há alguma distorção. Óculos mais baratos normalmente arranham com mais facilidade, apresentam mais aberrações e a moldura se quebra mais facilmente. De maneira geral óculos escuros filtram 95% dos raios UV-B. A qualidade das lentes, portanto, pode fazer a diferença, evitando-se assim desconforto e dores de cabeça decorrentes de óculos de má qualidade.

Pessoas mais Vulneráveis a Danos Solares

Afácicos e pseudofácicos, que operaram catarata e não usam lente intra-ocular, ou usam lentes que não fornecem proteção UV.

Pacientes com Xeroderma Pigmentosa não apresentam mecanismos de reparo celular para danos induzidos pelos raios UV. Portadores de retinose pigmentaria podem apresentar risco aumentado. Usuários de agentes farmacológicos que causam fototoxicidade:

Adriamicina, inibidores da aldose redutase, Alopurinol, Griseofulvina, fenotiazinas (clorpromazina, tioridazina); derivados da porfirina, sulfonamidas, hipoglicemiantes orais, derivados da cloroquina (antimaláricos e antiartríticos), alguns contraceptivos orais, psoralênicos, retinóides (derivados da vitamina A), tetraciclina, minociclina, doxiciclina.

Óculos de sol são específicos para cor e transmitância. Transmitância da luz visível deve fazer com que o brilho dos objetos fique na faixa confortável entre 350 e 2000 candelas/metro2 (cd/ m2).

Cena Luminância (cd/ m2)

Céu brilhante com nuvens difusas sob o sol 40000 – 70000
Sol e neve 15000 – 30000
Sol e nuvens 15000 – 30000
Praias 6000 – 15000
Pavimento de concreto 3000 – 9000
Luz do sol no campo e folhagens 3000 – 7000
Azul do céu longe do sol 300 – 3000
Visão confortável 350 – 2000
Necessário para visão adequada 35

Critérios para Escolha de Óculos de Boa Qualidade

Lentes deveriam ser suficientemente escuras para visão confortável e manter boa visão noturna. Transmitância de 15 a 25% é adequada para a maioria das atividades, embora lentes mais escuras sejam melhores para situações especiais, como escalar montanhas, vôos acima das nuvens, ir à praia, esquiar.

Embora óculos de má qualidade possam proteger dos raios UV, ondulações, distorções e embaçamentos em sua superfície trazem desconforto pelas aberrações visuais, muitas vezes provocando mal estar, náuseas e cefaléia.

Lentes devem ser resistentes ao impacto, sendo as com policarbonato as mais indicadas para este fim.

Quem Deve Ser Protegido dos Raios UV

Afácicos e pseudofácicos, para prevenir retinite solar
Pacientes com catarata inicial, para reduzir o glare provocado pela luz
Pacientes recebendo medicamentos fotosensibilizantes
Trabalhadores com contato com raios UV: soldadores, eletrônicos, artes gráficas, pesquisadores
Pessoas que ficam muito no sol
Pacientes com pingüécula, pterígeo, degeneração macular
Pessoas que praticam esportes em contato com raios UV
Crianças, principalmente na praia, dunas, ou outros locais

Todas as pessoas que querem manter seus olhos saudáveis, confortáveis, eliminando, reduzindo ou retardando problemas na córnea, cataratas, retinopatias solares.

Por Dr. João Luiz Lobo Ferreira*

*Dr. João Luiz Lobo Ferreira
Especiallista pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia
“Fellow” em Retina/Vítreo – The Lions Eye Institute of Western Australia
Doutor em Oftalmologia – UFMG
Vice-Presidente Regional Sul da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo

Fonte: http://www.portaldaoftalmologia.com.br/site/site2010/index.php?option=com_content&view=article&id=93:protecao-ocular-da-radiacao-solar&catid=46:artigos&Itemid=68